segunda-feira, 6 de junho de 2011

Reflexões a partir da Convocatória Ecumênica Internacional pela Paz

 “Até que todos estejam saciados nós lutaremos, até que todos neste mundo tenham pão. Assim como Jesus, que ama a todos por igual, serviremos até que todos possam compartir o pão.”

Este é um verso da canção que foi parte da celebração de encerramento da Convocatória Ecumênica Internacional pela Paz, que aconteceu em Kingston – Jamaica dos dias 17 a 25 de maio. Estas palavras estão em minha mente pois representam para mim o desafio que temos como Cristãos de servir e continuar lutando pelo pão para todos, pão este que significa justiça, igualdade, dignidade, paz.

Quando nos dedicamos a servir aos demais, passamos a observar mais as pessoas, verificando as necessidades, a maneira que podemos ser úteis e a sua maneira de ser e reagir. Durante a CEIP pude experienciar um pouco estes sentimentos. Participar de um evento a nivel mundial, servindo como steward, foi uma experiência renovadora. Eu poderia até mesmo ser ousada o bastante e dizer que o desafio de ser steward durante uma conferência como esta, é experienciar um pouco do propósito de Jesus Cristo, de amar ao seu próximo como a você mesmo, ou seja, servir aos demais da forma que você gostaria de ser servido.
Duarante o evento, optei por ser um dos stewards responsáveis por receber os participantes na plenária e atender as necessidades deles, além de disponibilizar o material necessário para participação nas sessões. Receber, auxiliar, fazer as pessoas se sentirem bem a cada vez que retornavam para mais um momento de reflexão e debate foi a incumbência dos stewards que trabalharam na tenda durante os dias da CEIP. Foi um trabalho ótimo o de servir aquelas pessoas e encontrar, a cada dia, a cada nova sessão, aquelas faces que aos poucos foram se tornando conhecidas para mim e para os demais colegas.  O contato com pessoas de diversas partes do mundo, de culturas e crenças diferentes em um curto espaço de tempo, o carinho e o retorno por um simples Bom-dia é algo que só um evento como este pode proporcionar. E como isso é bom!
Além do trabalho, muitos foram os momentos de reflexão, seja em pelnária, com os relatos de mulheres e homens ao redor do mundo que experienciaram exclusão e violência de alguma forma em suas vidas, seja na fila para o almoço, durante os workshops ou, até mesmo, com atos e atitudes durante o evento que refletem a necessidade do trabalho contínuo e do comprometimento na construção de uma paz justa. Cada participante trazia consigo uma história na luta pela paz e a ansiedade em compartilhar e aprender com os demais. A oportunidade de ouvir estas histórias de luta encorajou-me ainda mais a continuar no trabalho por um mundo justo.
Como jovem, sinto me desafiada a lutar para que a paz seja parte do compromisso dos demais jovens ao redor do mundo. Espero que possamos nos engajar e compartilhar com o mundo o nosso desejo de mudança, de inclusão, fazendo uso das ferramentas de comunicação que possuímos hoje em dia. Que possamos abraçar o compromisso da luta por um mundo justo e igualitário como um chamado à nossa geração.
O desafio que fica é o de servir para a paz.  Lutar por justiça e igualdade em qualquer lugar que estejamos, seja em nossa casa, comunidade, local de trabalho, nosso país. Ser stewards da Paz no cuidado com a criação de Deus e nos comprometer com este cuidado, adotando medidas simples de preservação em nosso dia-a-dia, que fazem a diferença no todo. Servir, lutar, até que todos possam partilhar o pão da justiça e da igualdade.


sexta-feira, 3 de junho de 2011

Paz na Comunidade



"Amarás o teu próximo como a ti mesmo." "Ore por aqueles que vos perseguem." (Lucas 10:27, Mateus 05:44)

A discussão sobre a paz na comunidade, durante a Convocatória Ecumênica Internacional pela Paz, na Jamaica, começou um desafio: Como vivemos a esperança de "Amar ao próximo como a nós mesmos" em um mundo profundamente marcado pela violência nas mais variadas formas?

Durante o dia, o plenário esteve focado na discussão da violência contra as mulheres, o racismo e outras formas de discriminação e de violência causados pela afirmação de identidades religiosas. Toda essa discussão com o objetivo de pregar a afirmação da dignidade e da igualdade de todos os seres humanos , re-imaginando igrejas como espaços abertos, justos e inclusivos dentro das comunidades.

Entre os palestrantes do dia, o Dr. Martin Luther King III, filho do famoso líder dos direitos civis  Dr. Martin Luther King Jr, trouxe para os participantes do IEPC a reflexão sobre os caminhos do mundo acreditar na paz e na justiça. Ele reafirmou que não podemos continuar a pregar a paz e praticar a guerra.

Dr. Martin Luther King III, que vivenciou violência em sua própria família, ainda acredita que não há caminho para a paz se tentarmos resolver nossos problemas em uma ação "olho-por-olho e dente-por-um- dente ". Ele pediu às comunidades de fé que não apenas falam de fé, mas que sejam promotoras da paz, sendo um exemplo de paz no mundo, começando dentro de nossas próprias casas.

Como uma jovem participante, ao ouvir o filho de um dos maiores líderes dos direitos civis, eu me senti muito encorajada quando ele desafiou os jovens a falar sobre a paz, utilizando as ferramentas de mídia atuais como o Twitter e o Facebook. Nós, homens e mulheres jovens, podemos contribuir muito para a promoção da paz e fazer do mundo um lugar melhor. Precisamos fazer desse tópico o nosso compromisso e partilhar o que estamos fazendo para promover a paz em nossa comunidade.
Todos os dias, em nossas diferentes realidades somos confrontados com discriminação de pessoas e a luta por justiça. Existem tantas pessoas sem acesso às necessidades básicas e o que estamos fazendo para promover a justiça para essas pessoas? Como podemos ajudá-los a alcançar paz? Em outras regiões, temos pessoas sofrendo por conflitos religiosos. Como estamos enfrentando isso e como nós estamos tentando ajudar as nossas comunidades a resolver estas perguntas? Algumas pessoas sofrem a discriminação por serem mulheres ou parte de uma minoria da sociedade. Não podemos aceitar isso.
Nossas comunidades estão fazendo alguma coisa. Ainda assim, não é o suficiente. No entanto, nós precisamos compartilhar com os outros o que já estamos fazendo e como é possível transformar a realidade criando um mundo melhor com a inclusão de todos. Talvez, o início possa ser participando e ajudando projetos em nossas igrejas. Talvez, partilhando com outros o nosso trabalho. Você também pode fazer algo evitando a discriminação das mulheres e das minorias. Você só precisa participar e fazer parte deste chamado.



 O desafio consiste em amarmos o nosso próximo como a nós mesmos, como Cristo disse.

Vou finalizar com as palavras de Martin Luther King III: "Temos de fazer deste mundo um lugar melhor. Compartilhe no Twitter o que vocês estão fazendo. São pessoas jovens que têm de liderar esta luta. É nossa vocação. Cada geração tem um chamado. Talvez o chamado desta geração seja a luta por um mundo mais justo."

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Paz no local de Trabalho - para que todos possam viver com dignidade.

  Compartilho hoje texto escrito por Sanna Eriksson da Suécia. O texto original, em inglês, pode ser acessado aqui: http://lwfyouth.org/2011/05/30/3865/ 


 Durante o dia, que teve como tema "Paz no local de Trabalho", o estudo bíblico foi focado no texto do Evangelho de Mateus 20:1-16, que fala sobre o proprietário que ao longo do dia, contratou pessoas para trabalhar na sua vinha e, quando a noite chegou, todo mundo recebeu a mesma quantia, independentemente de quantas horas havia trabalhado.
Em meu grupo de estudo bíblico, nós jogamos um jogo onde todos recebiam uma quantidade diferente de dinheiro e então tinham que usar este dinheiro para comprar de um banqueiro muito injusto. Posteriormente, discutimos como o reino de Deus significa a inclusão de todos.


Pergunta para reflexão:

 Quem são as pessoas no local de trabalho que estão sem nada a fazer?

O "Chamado Ecumênico para uma Paz Justa", afirma que: A paz no local de trabalho é nutrida pela criação de "economias de vida". Seus pilares fundamentais são as relações sócio-econômicas equitativas, o respeito pelos direitos dos trabalhadores, a partilha e o uso sustentável dos recursos, alimentação saudável e acessível para todos e ampla participação em tomada de decisões econômicas.
Na parte da tarde participei de um workshop sobre o Processo de Gotemburgo, uma iniciativa ecumênica onde as igrejas e organizações religiosas trabalham em conjunto para aumentar a compreensão e o conhecimento dos desafios éticos colocados pelo comércio de armas.
Em relação ao comércio de armas eu tenho vergonha do meu país, a Suécia, que medida pelo volume da população está entre os maiores exportadores de armas no mundo.
Após o dia de discussões sobre "Paz no local de trabalho" tornei-me ainda mais consciente de como os meus padrões de consumo podem contribuir ou não para uma paz justa no mercado, no local de trabalho, mas também em todos os segmentos da sociedade. Isso me desafia a fazer melhores escolhas sobre, por exemplo, o comércio justo de produtos ecológicos.
Uma das músicas da oração de encerramento descreve o que talvez pudesse ser uma "economia da vida" como a que o "Chamado Ecumênico para uma Paz Justa" se refere:
"Na grama verde
Eles se reuniram há muito tempo
Para ouvir o que disse o Mestre.
O que eles tinham, eles compartilharam
Alguns peixes e alguns pães
Serviram até que todos estavam alimentados. "

 
"Compartilhar é criar um milagre", como bispo Kameeta disse no ano passado na Pré-Assembléia da Juventude da LWF, em Dresden.


Sanna Eriksson, 

Representante da Igreja da Suécia na IEPC

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Declaração dos Participantes Jovens da Convocatória Ecumênica Internacional pela Paz


Glória a Deus e Paz na Terra!

Dois dias antes da Convocatória muitos de vocês chegaram à Kingston, 95 jovens se encontraram para estabelecer contatos, construir comunidade, estudar a Bíblia, orar e refletir a respeito da Década para Superação da Violência e os temas da Convocatória a respeito da paz na comunidade, com a terra, no mercado e entre os povos.
Todos nós viemos juntos e participamos em diferentes partes da CEIP. Esta reflexão e as recomendações são expressões de muitas discussões ao longo da semana pela juventude. Compartilhamos esta mensagem com vocês, nossos companheiros pacificadores, e lhes convidamos a continuar o dialogo com os jovens aqui, e além – em suas congregações e comunidades civis.

Participação jovem e diálogo intergerações.
Paz justa só pode ser alcançada quando todos trabalhamos em conjunto. Aqui na CEIP diferentes gerações tem trabalhado juntas. Nós apreciamos completamente as interações com nossos irmãos e irmãs. No futuro gostaríamos de ter mais oportunidades para compartilhar nossos pensamentos e interagir uns com os outros.
Nos alegramos que pessoas jovens participaram neste encontro  com uma grande variedade de papéis. 12% dos participantes eram pessoas jovens. Agradecemos a estas Igrejas e organizações que enviaram pessoas jovens como seus representantes e encorajamos todas as Igrejas a alcançar a meta recomendada de uma participação de 25% de jovens. Estamos olhando  para o futuro  e vendo pessoas jovens como palestrantes principais ou painelistas – compartilhando suas experiências e competências. Nós ansiamos pela jornada até Busan juntos, damos grande valor ao diálogo intergerações que nos possibilita aprender uns com os outros e sermos criativos.

Fundamentos.
As Igrejas proporcionam uma contribuição única para o trabalho da paz justa. Nos empenhamos em seguir os passos de Jesus Cristo. Afirmamos que a palavra de Deus nos fala e nos desafia na jornada pela pacificação. Esperamos que todo o nosso trabalho de paz e justiça sejam profundamente enraizados nas Escrituras e reflexão teológica. Queremos nos comprometer a continuar a reflexão a respeito do conceito de Shalom.

Parceria.
Organizações de jovens dentro do movimento ecumênico compartilham a visão pela unidade dos cristãos. Relacionamentos e parcerias perfazem o fundamento do nosso trabalho comum. Entretanto, acreditamos que é imperativo para o CMI, igrejas membro e organizações ecumênicas de jovens aprofundar seus relacionamentos e cooperação. NÓS não apenas queremos continuar tal união, mas também queremos desenvolver uma maneira estratégica para tomar ações em nossos contextos locais e global.
Precisamos de forte apoio de nossas igrejas.
Precisamos uns dos outros
Devemos orar e trabalhar juntos.

Comprometimento pessoal.
Depois deste tempo juntos, estamos profundamente inspirados pelas muitas histórias que foram compartilhadas, como o testemunho de mudança na situação dos Dalits dada por Asha Kowtal. Como este encontro está chegando ao seu final, estamos profundamente gratos pelo compartilhar e aprendizado que irá nos equipar para enfrentar os desafios adiante. Encorajamos cada um a continuar com ações concretas pela paz quando voltarem para suas casas

Deus da Vida, guia nos para justiça e paz!

terça-feira, 24 de maio de 2011

A paz começa com a gente

Diretamente de Kingston, compartilho algumas palavras escritas por mim e outras 2 jovens luteranas (Sanna Eriksson da Suécia e Mikka McCraken dos Estados Unidos) para o blog da juventude da Federação Luterana Mundial.


Saudações de Kingston, Jamaica! Estamos participando da Convocação Ecumênica Internacional  pela Paz (IEPC),  organizada pelo do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), juntamente com cerca de 1000 pessoas representantes das igrejas-membro do CMI ao redor do mundo. 

O tema da convocatória, que é
 um evento de colheita e da celebração da Década para Superação da Violência, é "Glória a Deus e Paz na Terra.".  Este não é um evento para tomada de decisões, mas sim, um momento de cristalizar as questões de paz que surgem no caminho preparatório para a Assembléia do CMI em 2013, em Busan, Coréia do Sul. Os objetivos da IEPC são muitos, mas amplamente podemos resumir como um momento de compartilhar idéias e reflexões, construir redes e desenvolver estratégias e outras ações. 


Os quatro temas que serão discutidos nestes dias de encontro são:
- Paz na Comunidade;

-  Paz com a Terra;
-  Paz no local de trabalho;
-  Paz entre os povos. 


Hoje, vamos concentrar-nos em paz com a Terra.
Uma atividade importante da nossa participação na convocatória inclui o estudo da Bíblia. O texto para refletir sobre "A paz com a Terra" é Isaías 11:6-9. Dê uma olhada no texto.Compartilhe com seus amigos. Para iniciar a conversa, aqui ficam duas perguntas:


A que se refere o "conhecimento do Senhor" nesta passagem bíblica? 

O mundo descrito nesta passagem bíblica é possível?

Na sessão plenária de hoje o foco era: Divulgar informação sobre as várias ameaças à criação, declarações das igrejas presentes e ações destinadas a cuidar da criação, oferecendo uma visão teológica e espiritual a partir de várias perspectivas religiosas sobre a paz e a criação, partilhando exemplos práticos sobre o que as igrejas podem fazer para vivermos em paz com a terra.
Como três jovens da FLM, sentimo-nos ligados a este trabalho, uma vez que este mesmo tema, a sustentabilidade (com foco em mudanças climáticas e segurança alimentar) foi expressa como uma questão emergente entre os jovens luteranos durante a Assembléia da Federação Luterana Mundial (FLM) em 2010. Atualmente, grupos de jovens de igrejas membro da Federação  estão refletindo em conjunto sobre os textos bíblicos que se relacionam com este tema. N
o projeto FLM Juntos, grupos de todo mundo estão compartilhando um com o outro através da internet suas discussões e ações comunitárias relacionadas a sustentabilidade - uma verdadeira ação "verde".

Um dos objetivos do projeto FLM Juntos é usar os resultados dos estudos bíblicos e reflexões para trabalhar em direção a sustentabilidade em sua própria comunidade. 


A Paz com a Terra começa com a gente!

Para mais informações visite www.lwfyouth.org.


Daniele, Mikka e Sanna



O post original(em inglês)  você pode encontrar aqui neste endereço: http://lwfyouth.org/2011/05/23/peace-starts-with-us/

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Convocatória Ecumênica Internacional pela Paz – IEPC



 “Glória a Deus e Paz nas Alturas” -  Este é o tema da Convocatória Ecumêncica Internacional pela Paz – IEPC, que inicia na terça-feira, dia 17 de maio em Kingston, na Jamaica. Durante 8 dias, representantes de igrejas membro do Conselho Mundial de Igrejas estarão reunidos em Kingston para um momento de celebração e avaliação da Década pela Superação da Violência.  Muitas atividades foram realizadas pelas igrejas ao redor do mundo durante esta década e a proposta é de que a celebração em Kingston seja também um momento inspirador para a continuidade do trabalho pela Paz.
O encontro discutirá a Paz de acordo com quatro subtemas: Paz na Comunidade, Paz com a terra, Paz no mercado de trabalho e Paz entre as pessoas. Além disso, um documento entitulado “Um chamado Ecumênico para a Paz Justa” será apresentado com o objetivo de guiar as igrejas membro em seu contínuo trabalho pela paz.
Eu sou uma d@s jovens selecionad@s para servir como steward durante a IEPC. Nós somos 40 jovens de cerca de 22 países ao redor do mundo e estaremos trabalhando durante o evento com questões de logística, auxiliando em tarefas como distribuição de documentos e materiais, acolhida, organização de espaços. Porém, ser um steward não significa apenas trabalho logístico. Em preparação para o evento, estaremos participando do Programa de Aprendizado Ecumênico, onde teremos oportunidade de discutir com outros jovens questões de Paz em nossa realidade, além de aprender  e compartilhar experiências de diferentes partes do mundo
Em nossa IECLB, que também é membro do Conselho Mundial de Igrejas, temos como tema para este ano Paz na Criação de Deus, Esperança e compromisso. E é neste sentido que também estamos refletindo em nossas comunidades sobre a construção de uma Paz Justa, que começa com todas as pessoas tendo os mesmos direitos, as mesmas possibilidades de sonhar, o mesmo acesso a uma vida com dignidade e onde todos assumam sua responsabilidade com os bens comuns, com o nosso planeta, com a criação de Deus.
A Paz Justa começa no cuidado com a criação. Podemos citar como exemplos o cuidado com o lixo que produzimos, os alimentos que ingerimos todos os dias , os materiais que necessitamos em nosso trabalho, em nossas casas. Você sabe de onde vem os alimentos que você consome? Que tipos de coisas você está comprando e  em qual quantidade? É realmente necessário? Que tipo de trabalho foi usado na produção desses materiais? É com pequenas reflexões como esta que avançaremos na discussão sobre dignidade e PAZ Justa, preocupando-nos em construir Paz nas coisas mais simples que fizermos, seja em casa, seja na comunidade, no nosso local de trabalho e assim, entre todas as pessoas.


Se você tem interesse em acompanhar o que será tratado durante a Convocatória Ecumênica Internacional pela Paz e ainda participar: http://www.superarlaviolencia.org/es/convocatoria.html

sábado, 7 de maio de 2011

Encontro de Mulheres


“Mulheres Gerando a transformação”. Este foi o tema debatido durante o II Encontro territorial de Mulheres Rurais organizado pelo Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor – CAPA, núcleo Pelotas, no último dia 03 de maio de 2011. Cerca de 240 mulheres estiveram reunidas em um dia de debates sobre a contribuição e papel das mulheres no desenvolvimento da região do Território Zona Sul do Estado RS.
No encontro, que teve sua primeira edição realizada em 2010, as presentes refletiram sobre a mulher ao longo da história, as contribuições, os desafios e as conquistas femininas. Além disso, através da palestra “Natureza, mulher e Agricultura”, que trouxe a relação entre o trabalho na agricultura e o cuidado com a natureza, as mulheres refletiram sobre suas tarefas, sobre a importância do seu trabalho bem como sobre o papel da mulher nas iniciativas que contribuem para o desenvolvimento da região. Houve ainda exposição dos trabalhos realizados pelos grupos de mulheres da região, bem como a participação de uma equipe do INSS, que esteve presente durante o encontro disponível para consultas.
Além de ser um espaço de debate, vale ressaltar a importância do encontrar-se, de mobilizar estas mulheres a sair de suas casas para dividir com as demais as suas buscas e conquistas. O encontro foi um momento em que as mulheres pararam, olharam para o trabalho que elas realizam a fim de reconhecer-se e a partir dai passar a valorizar-se ainda mais.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Mulheres gerando a transformação

Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, 43 % da mão de obra agrícola é constituída por mulheres, afirma José Graziano da Silva em seu artigo A força das mulheres contra a fome, baseado em estatísticas da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

É visto que, na propriedade rural, o papel desempenhado pelas mulheres é de extrema importância, dado que são as mulheres as responsáveis pela alimentação das famílias.
Em uma propriedade da agricultura familiar, o papel desempenhado pela mulher, geralmente, é o de cultivar e cuidar de árvores e hortaliças que garantam o alimento na mesa da família. São as mulheres que plantam o pé de laranja, a semente de abóbora, o pé de couve e de alface.
Ainda conforme afirma a presidenta Dilma Roussef, grande parte dos programas sociais criados pelo Governo Federal estão dando certo por serem focados, por privilegiarem as mulheres, as mães da família.
Neste sentido, não podemos deixar de ressaltar a importância da mulher no sucesso de projetos desenvolvidos com organizações da agricultura familiar, como por exemplo, projetos de agroecologia e segurança alimentar. A mulher como responsável pela segurança alimentar da família, busca formas de conservar práticas tradicionais da agricultura além inovar através de formas diferentes de manuseio do solo e culturas diferenciadas que venham auxiliar na garantia do sustento da família.
É neste sentido que está sendo realizado o III Encontro Territorial de Mulheres Rurais em Pelotas, RS, com o tema: Mulheres gerando a transformação. O evento, que pretende reunir cerca de 200 mulheres agricultoras familiares da região, tem como objetivo discutir o papel das mulheres na propriedade rural, além de debater a participação das mulheres no processo de desenvolvimento do Território Zona Sul do Estado RS, no programa do Governo Federal Territórios da Cidadania.

Durante o encontro, haverá ainda exposição de trabalhos desenvolvidos com mulheres na região, bem como um estande do INSS para consultas.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O que o jovem precisa para permanecer no campo?



No último sábado, 9 de abril, mais de 200 jovens agricultores familiares da região Sul do Rio Grande do Sul (RS) estiveram reunidos para um dia de debate sobre a sucessão no meio rural durante Seminário de Jovens da Agricultura Familiar da Região Sul do RS, organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (SINTRAF-Sul) em parceria com o Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (CAPA) e a EMATER.
A partir da discussão sobre diferentes temas que afetam a vida do jovem rural, como cultura e lazer, geração de renda, educação do campo, meio ambiente e infraestrutura no meio rural, foi elaborada uma carta que apresenta as necessidades da juventude da agricultura familiar. O documento será encaminhada para o Poder Público chamando especial atenção para a falta de políticas públicas nessa área. Além disso, será entregue e discutido no 3º Acampamento da Juventude da Agricultura Familiar, que acontecerá nos dias 27 a 29 de abril de 2011, em Concórdia (SC).

CARTA ABERTA DOS JOVENS PARTICIPANTES DO SEMINÁRIO DE JOVENS DA AGRICULTURA FAMILIAR DA REGIÃO SUL DO RS À SOCIEDADE E ÀS AUTORIDADES 
Somos jovens agricultores ou filhos de agricultores, vindos de vários municípios da região, incluindo Dom Feliciano, Camaquã, Canguçu, Cristal, Pelotas, São Lourenço do Sul e Turuçu, participantes do Seminário de Jovens da Agricultura Familiar da região Sul do estado RS, que aconteceu dia 09 de abril de 2011, na cidade de São Lourenço do Sul/RS, organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul – SINTRAF-SUL, com apoio do Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor – CAPA, EMATER, UNAIC e CRESOL. 

Como representantes da juventude da agricultura familiar, reconhecemos a importância da agricultura familiar como geradora de alimentos, emprego e renda no país. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário, 70% do total de alimentos produzidos no Brasil provém da agricultura familiar. Reconhecemos também que há um abandono crescente do campo, principalmente pela juventude, que tem abandonado a zona rural em busca de novas oportunidades. A cidade é atraente pelas suas opções de lazer, por concentrar as universidades e instituições de ensino, por oferecer acesso a atividades culturais, entre outros fatores relevantes que fazem com que o jovem idealize uma vida longe do rural. 
Além disso, os jovens que vivem no campo muitas vezes são estimulados a estudar para “ir em busca de uma vida melhor”, idéia que é reforçada pela escola, pela mídia e pela sociedade em geral. 

Durante nosso seminário, discutimos que é preciso garantir condições para que os jovens não tenham o êxodo como única alternativa e possam optar por permanecer e viver bem no campo. Acreditamos que a sucessão das propriedades de agricultura familiar depende de diversos fatores que englobam, entre outros, o acesso do jovem a: i) Cultura e Lazer, ii) Geração de Renda, iii) Educação do Campo, iiii) Meio Ambiente, v) Infraestrutura no meio rural. 


Cultura e Lazer: 
• Programa para que todas as propriedades tenham acesso à internet de boa qualidade e a custo baixo; 
• Pólos de cultura nas comunidades com cinema, bibliotecas públicas e outros; 
• Infra estrutura para lazer e esporte, como ginásios, materiais esportivos e outros; 
• Cursos de informática e outros cursos nas comunidades. 

Geração de Renda 
• Políticas de comercialização com participação para Jovens nos programas PAA e alimentação escolar; 
• Ponto de distribuição dos produtos produzidos pela Agricultura Familiar; 
• Bolsa salário para jovens que permanecem no campo; 
• Credito fundiário com juros zero; 
• Feiras de venda direta aos consumidores. 

Educação no Campo 
• Falta de educação que incentivo na permanência no campo com práticas voltadas para a realidade rural; 
• Motivação para a perspectiva de vida no campo; 
• Inclusão digital com a utilização dos laboratórios no turno de estudo; 
• Adequação curricular, disciplinas voltadas para o cotidiano do interior; 
• Falta integração interdisciplinar, desvinculação entre as disciplinas com a realidade; 
• Seminários voltados para o próprio ambiente escolar; 
• Transporte para ensino médio e com período noturnos no interior; 
• Falta de infra nas escolas; 
• Espaço de participação nas escolas, participar do planejamento da escola; 
• Criação de Grêmio Estudantil; 
• Abrir espaço nas escolas para demonstrar produtos produzidos pela Agricultura Familiar; 
• Escola aberta para o lazer, cultura e outras modalidades de ensino, como por exemplo, o EJA; 
• Educação inclusiva nas escolas do interior; 
• Formação continuada dos professores voltada para educação no campo. 

“A educação pode não transformar o mundo, mas ajudara a transformar as pessoas” Paulo Freire 

Meio Ambiente • Recolhimento de lixo no interior, com separação do lixo reciclável, uma vez por semana; 
• Utilização de produtos orgânicos; 
• Valorizar das culturas tradicionais da Agricultura Familiar, como por exemplo, as sementes crioulas; 
• Incentivo financeiro para os Agricultores Familiares que preservam o meio ambiente; 
• Criação de programa de arborização nas propriedades que estão assoreadas; 


Infraestrutura no Meio Rural • Assistência técnica voltada para as realidades locais; 
• Credito diferenciado para os jovens voltado a produção de alimentos; 
• Estradas do interior em condições para o escoamento da produção

Os jovens representam o potencial mais importante de mudança na sociedade. Acreditamos que a sucessão das propriedades familiares, bem como a preocupação com o êxodo rural deva ser de interesse não apenas dos jovens, como também das organizações da sociedade, dos governantes do nosso país, estado e prefeituras, das atuais gerações de lideranças políticas e comunitárias, enfim, de todos os setores da sociedade. Assinam este documento os 203 jovens agricultores familiares presentes no Seminário de Jovens da Agricultura Familiar da Região Sul do Estado do Rio Grande do Sul.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O jovem e a sucessão da agricultura familiar


A agricultura familiar brasileira é patrimônio do país, e assim deve ser concebida e valorizada. Pelo seu papel estratégico de garantia na produção de alimentos e outros produtos, da ocupação do território, preservação da agrobiodiversidade, da valorização da cultura local, preservação da paisagem, da descentralização industrial, entre outros aspectos. A agricultura familiar é multifuncional, prestando um conjunto de serviços ao país, devendo ter tratamento diferenciado. Mas para continuar a existir é preciso ter pessoas trabalhando nestas propriedades. E quem vai dar sequência à produção de alimentos se os jovens, sem oportunidades ou perspectivas, estão abandonando cada vez mais cedo as propriedades indo em busca de uma "vida mais fácil" nas cidades?
É neste sentido que o Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul – SINTRAF-SUL em parceria com o Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor – CAPA e a EMATER estão organizando o Seminário de Jovens da Agricultura Familiar da Região Sul do RS, que estará sendo realizado no dia 09 de abril em São Lourenço do Sul.
A partir da discussão sobre diferentes temas que afetam a vida do jovem rural, como Cultura e Lazer, Geração de Renda, Educação do Campo, Meio Ambiente e Infra-estrutura no Meio Rural, os jovens estarão discutindo porqê o jovem, filho de agricultores familiares, abandona a vida rural e quais as perspectivas de mudança deste cenário. Cerca de 200 jovens são esperados para um dia de debate em torno da sucessão na agricultura familiar. 

Venha e junte-se a este debate você também.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Clica no F5

Depois de viajar por um tempo e viver longe da família e amigos, passei a descobrir coisas que amo e também aquelas não me fazem tanto bem. Concedi o título de "amig@" a pessoas antes desconhecidas e enfim, passei a descobrir-me, a ser uma pessoa um pouco mais crítica da minha forma de viver e das coisas ao meu redor. Não que antes eu não a fosse, mas hoje posso dizer que a sou ainda mais.

Desde que retornei ao Brasil, muitas coisas têm me chamado a atenção. A cada dia algo me surpreende e fico pensando como somos capazes de sermos melhores em determinadas coisas. Às vezes tenho a impressão de que falta um click no mouse, um enter ou até mesmo um F5 para que nos atualizemos.
Ora, temos leis que determinam nossos direitos e deveres, temos contratos que determinam nossas atribuições no trabalho, temos os 10 mandamentos que são um guia para a nossa vida em comunidade mas mesmo assim, ainda existem tantas coisas nas quais carecemos de melhorias. Fico me perguntando como seria possível mudar este cenário, uma vez que traria benefícios a todos e o porquê de ainda não o termos feito antes.
Diversas vezes, ao necessitarmos algum serviço, o atendimento dos funcionários nos informa apenas o necessário, aquilo que está dentro do contrato que deve ser informado, questionado, verificado, preenchido. Falta o cuidado de estar prestando o serviço, mas estar prestando-o como a si próprio. Como diz aquela famosa frase: "Fazer/tratar/atender os outros da mesma forma como gostaria que me fizessem/tratassem/atendessem."
Desculpas a quem começou a ler este post pensando que eu traria algo de novo mas, realmente, tenho que dizer aqui mais uma vez aquilo que muitos já falaram e muitos ainda falarão: a mudança começa no momento em que eu, no meu mundinho, começo a mudar. Isso é fato!
Tá na hora de deixar de fazer somente o que está no script, aquilo que foi pré-determinado. Sempre é possível ir um pouco além daquilo que está nas diretrizes do nosso trabalho, nas leis de trânsito, na constituição, afinal, nós ainda somos humanos, não somos computadores/robôs. É sempre tempo de fazer de novo e fazer bem feito. É hora de parar de fazer as coisas certas somente quando há fiscalização, fazer algumas gentilezas... Isso definitivamente nos faz bem!

Então, às vezes é bom parar e sorrir, simplesmente sorrir. Isso nos faz voltar a forma humana de ser e dispensa a forma robô por algum tempo...
Por isso, quando estiver dando erro, se não houver o processamento de dados corretamente, ou começar a esquecer as gentilezas... Vamos clicar no F5, por favor?!